Arquivo de dezembro de 2009

One by One/A receita da Diana

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PIC_0001A atriz Diana Ramos, me surpreendeu com esta meticulosa ordem das coisas que Oco Teatro Laboratório conseguiu fazer no ano 2009. E eu ciente de que a gente precisa trabalhar mais. Eta preguiça! É quase que uma receita para aqueles que não sabemos o que fazer durante o ano. É bom guardar essas lembranças administrativas da Diana.

Aí vai a receita para aqueles que queiram ter trabalho! E ela disse que ainda falta!. Viu!?


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Janeiro

Temporada de Branca. Sala do Coro TCA

Luis Alberto no Janeiro de Grandes Espetáculos em Recife.

Participação de Diana Ramos e Rafael Magalhães no show Pierrot e Colombina – Vânia Abreu e Marcelo Quintanilha.

Viagem de Luis Alberto para Festival de Teatro no Chile – “Santiago a Mil”.

Fevereiro

Temporada de Os Sonhos de Segismundo. Sala do Coro TCA.

Março

Viagem ao Peru. 23/03 a 02/04/2009

31/03 apresentação na Casa Yuyachkani .

Abril

Indicações do Prêmio Braskem: Melhor espetáculo “Os Sonhos de Segismundo” e Atriz Coadjuvante “Diana Ramos”.

Discutir Cidades Invisíveis. Ítalo Calvino

Discutir Leonardo Da Vinci.

Maio

Festival de Ipitanga. Apresentação de “Os Sonhos de Segismundo”.

Fim dos estudos Leonardo da Vinci

Estudos Charles Darwin

Estudos F. Nietzsche

Ajustes finais para o exercício de montagem dos textos criados a partir de imagens de da Vinci

Preparação para o trabalho prático

Viagem de Luis Alberto e Rafael Magalhães para o encontro da Ponte dos Ventos. Odin Teatret – Dinamarca.

25 de maio a 19 de junho (trabalho prático com a montagem dos textos dirigidos pelos atores/diretores)

Junho

Ajustes e ensaios das montagens resultantes das pesquisas com o texto de cada ator.

Julho

Mostra das cenas para Luis Alberto.

Agosto

Ensaios de Segismundo e Cenas experimentais.

Participação de Diana Ramos e Rafael Magalhães no Show Pierrot e Colombina. Teatro FECAP. SP.

Setembro

FILTE – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia.

Demonstração de trabalho no FILTE no Seminário de Poéticas e Políticas das Américas.

Reunião de avaliação FILTE.

Outubro

Festival Experimental FITEQ-G. Equador.

Viagem de Luis Alberto ao Festival Ibero-Americano de Teatro de Cádiz

Temporada Teatro Monet. Os sonhos de Segismundo.

Participação de Luis Alberto no encontro de diretores teatrais no XXIV Festival Ibero-americano de Teatro de Cádiz. Espanha.

Lançamento da Coleção Dramaturgia Latino-Americana. Vol. I Texto: Neva, de Guillermo Calderón. Fiac.

Novembro

Training

Dezembro

Training

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ESTUDOS E EXPERIMENTAÇÕES

Desde o início do ano já tínhamos as propostas de estudos para o decorrer do mesmo, os indicados para dissecá-los eram: Ítalo Calvino com a obra Cidades Invisíveis, Charles Darwin – vida e obra, Leonardo Da Vinci – vida e obra e Friedrich Nietzsche com Ecce Homo.

Sobre as Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, posso dizer do prazer que tive com a leitura, parecendo que a cada cidade era como se eu desvendasse junto com Marco Polo aquele lugar.

“Como historietas avulsas a qualquer enredo, elas vão se somando e tecendo paulatinamente um fio que atravessa todo o romance da primeira a última página: a fluidez de um mundo que se constitui através da audição, do odor, do paladar e de um olhar que não é o ver, mas o emergir na coisa, o mirar rosiano. Cada cidade porta uma revelação, mundos utópicos que são somente descortinados quando deitamos nosso olhar sobre ínfimos detalhes, à cata das ambigüidades. A descrição espacial da cidade envolvida nessa esfera de ambigüidade é representativa da condição humana, das oscilações pelas quais o homem passa.” (ciberliteratura.com.br)

As cidades invisíveis estavam dentro de mim, cada um delas trazia consigo uma rua por onde já estive no passado, lembranças ou sonhos. A leitura simples, poética e atraente nos inquietava a tentar desvendar os segredos das cidades e, nas discussões com o grupo era interessante ver como a “cidade” de cada um brotava de nossas lembranças e de nossas histórias. Eram elas:

1 “As cidades e o nome” – identidade e sentido de lugar; 2“As cidades e a memória” – a presença do sítio e a influência do passado; 3 “As cidades e o desejo” – a motivação inconsciente e a ação sobre a memória; 4 “As cidades e os símbolos” – a linguagem da subconsciência coletiva e a imagem da cidade; 5 “As cidades delgadas” – a busca pelo desprender da terra, a negação da imobilidade; 6 “As cidades e as trocas” – as relações entre os habitantes; 7 “As cidades e os olhos” – a visão individual e os engodos; 8 “As cidades e os mortos” – engessamento, ciclo, fim de ciclo; 9. “As cidades ocultas” – a natureza humana e sua dualidade; 10. “As cidades contínuas” – antropofagia, destruição do meio; 11. “As Cidades e o Céu” – o ideal de perfeição e o cosmos.

Sobre Charles Darwin era mais óbvio cair na teoria da evolução das espécies por seleção natural, e ver que os mais fortes perpetuam a espécie. No entanto ter Darwin como exemplo de um estudioso persistente. As discussões deram margem a contextos sócio-culturais de “seleção natural” ou “predisposição genética” para caráter e personalidade.

Leonardo da Vinci foi, até então, o mais apaixonante a ser estudado. Sua vida e obra me revelaram a idéia de “Homem Universal”, ou seja, alguém que transita pelo conhecimento profundo e diversamente. Fiz uma analogia ao trabalho do ator, necessitando dominar uma gama de possibilidades de atuações, transitando em funções e se munindo de um repertório de qualidades à disposição de suas criações. Dentre as várias ciências aprofundadas por Da Vinci, as invenções e as pinturas foram o recorte maior para nossas pesquisas, serviram de inspiração para nossa grande tarefa:

1) Cada ator deveria elaborar, a partir de uma obra de Da Vinci, uma história, livre de estilo, a partir da imagem.

2) A história deveria ser curta contendo a estrutura essencial: começo, meio e fim (independendo de ordem cronológica). Fizemos uma primeira leitura para o diretor e este foi dando encaminhamentos dramatúrgicos aos escritos. Depois fizemos o trabalho com acompanhamento individual para estruturar os contos. Em certo momento passamos a socializar as histórias no grupo buscando: conflito, personagens e funções dentro da trama, moral da história e erro trágico do personagem, caso houvesse.

3) Agora tínhamos a tarefa de encenar o que chamei de contos com o grupo, cada ator/diretor poderia usar quantos atores do grupo quisesse, mas não poderia estar em sua própria cena. Tivemos, antes da prática, que expor a proposta de encenação possível, o que nos levou a pensar a cena em sua amplitude. Para nós foi o primeiro exercício autônomo de direção dentro do grupo e a metodologia usada pelo diretor para que chegássemos a tal ponto me deixou tranqüila, encarando como um exercício de direção e ensinando na prática a pensar teatro. Mais uma informação sobre a montagem é que não deveria ter texto falado.

4) Cada ator/diretor escolheu seus atores e escalonamos os dias de trabalho de cada grupo. A metodologia de montagem era livre, era necessário um acordo antecipado: confiar plenamente no colega diretor, sem questionamentos e críticas, assim poderíamos permitir que sua criatividade não fosse cerceada.

simbolodahpEu não estava em nenhuma cena, mas quis dirigir todo o elenco presente.

Escolhi a invenção “A máquina do silêncio” de Leonardo da Vinci e meu conto ganhou o título de “A procura do silêncio inacabado”, minha encenação posteriormente foi chamada de “Silêncio Reverso”. Era a história de um homem em busca do silêncio tentando reaprender a ouvir o cotidiano. Como eu não poderia usar texto falado fui em busca de imagens na internet que pudessem nortear a poética das cenas, os temas eram: solidão, silêncio, vazio, loucura e aquelas que surgiram do próprio texto. Neste momento minha pesquisa de imagens vinha pela proposta estética das artes plásticas, da cena como apreciação de uma arte visual, como elementos de equilíbrio, velocidades, ritmos, e corpos que expressassem sensações nas cores pretas e brancas. Contextualizar na cena a situação sócio-política do país era pra mim uma necessidade de demonstrar minha indignação através do meu instrumento de luta, o teatro. Ao menos como exercício era uma oportunidade de amadurecer idéias e como atriz/encenadora era um meio de sentir-me capaz de realizar uma composição cênica.

5) Mostramos os resultados para o diretor e cada cena foi ganhando ajustes como parte de um processo de lapidação.


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AS VIAGENS

Ir ao Peru em março para apresentação de Os sonhos de Segismundo em Lima foi meu primeiro contato com a América Latina fora do Brasil. Pisar num solo histórico de lutas políticas e resistências culturais na construção de um povo foi um passo sem volta para a ignorância. Fazemos no Brasil e talvez ainda mais em Salvador, um teatro pouco preocupado com as questões sócio-políticas (com exceções pontuais de grupos que se manifestam neste sentido), não me refiro neste momento a teatro panfletário ou partidário. Mas pensar o teatro como uma forma de interferir ou dialogar no seu contexto político verdadeiramente.

Tivemos muitos contratempos de produção local em Lima e os planos de conhecer Cuzco e Machu Piccho foram abortados, era lá que pretendíamos renovar nosso contato com a divina natureza de nossa origem latino-americana, não foi possível. Ministramos duas oficinas de teatro na Escuela Nacional Superior de Arte Dramático com demonstrações dos treinamentos do Oco Teatro. Era um público jovem e ávido, por diversas vezes senti vontade de ficar ali mesmo em Lima, me procurando, me identificando.

No entanto, ganhamos um belo presente, nos apresentarmos na Casa Yuyachkani e estreitar mais uma vez os laços com este grupo de tanta importância no teatro político latino. Tivemos uma sessão com casa cheia e a dispensa de público enorme que não se pôde acomodar dentro do teatro. O público peruano nos recebeu e nos acolheu de maneira muito generosa, com todos os embates causados pela língua tivemos a total compreensão cênica do espetáculo, as imagens deram ao público seu deleite e a comunhão aconteceu, o encontro foi possível através do teatro.

Em outubro, no Equador, nos encontramos novamente com a América Latina fora do Brasil, com amigos de outros grupos como Yuyachkani e Callejón del Agua , Buendía e com muito orgulho conhecemos Flora Lauten, diretora do Buendía. E considero importante no teatro todos aqueles que nos fazem mudar de alguma forma, que nos religam ao sentido de fazê-lo. Ver uma demonstração de trabalho do Yuyachkani no Teatro Prometeo em Quito foi, para mim, um novo momento de mudança e de crescimento, saí mais apaixonada pelo meu grupo, o Oco Teatro, e com desejo de prosperar sob a condição de muito trabalho e investigação, pois não se procede de outra forma. Ver o teatro de outros países é uma oportunidade de avaliar o seu próprio e reconhecer que, somos no Brasil, muito inventivos e criativos, não precisamos canalizar nossas bússolas criativas ao que está sendo feito lá fora, com referências européias, e não há nesse comentário nenhum ranço de colonizado, há apenas a constatação de que somos matéria prima o suficiente para nossas criações. Igualmente em Guayaquil fomos generosamente recebidos pelo público e acolhidos por uma platéia de aproximadamente 700 pessoas. O suficiente para voltarmos para o Brasil com a sensação de dever cumprido e ainda muita estrada para galgar.

Ser grupo é também levar seu nome por onde quer que estejamos e no que fazemos, às vezes perdemos o sobrenome e ao invés de Diana Ramos passo a ser Diana do Oco, é engraçado e real. Por isso, também neste ano levamos o nome do grupo em outras missões: Dinamarca, São Paulo, Chile, Espanha, Salvador, Lauro de Freitas… e trouxemos conosco também o nome de cada grupo que foi escrevendo algo em nossa história: Malayerba, Albanta, Candelária, Groove Estúdio, Bagaceira, Avante, Ciervo Encantado e muitos outros que se encontraram no II Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia 2009.

O ano do trabalho / por Tiago Chaves

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

PIC_0684O ano do trabalho

O ano de 2009 se mostrou bastante produtivo para o Oco Teatro Laboratório.

Depois de estrear Os Sonhos de Segismundo com uma temporada em novembro de 2008, o grupo produziu uma temporada dos dois espetáculos em fevereiro de 2009, o que parece não ter sido bastante vantajoso em relação a publico e questões financeiras. O fato de ser antes do carnaval de Salvador e no meio do verão da Bahia fez com que as apresentações tivessem um publico bastante reduzido.

Depois da temporada, continuou os trabalhos de treinamentos e ensaios de cena para a primeira viagem de Os sonhos de Segismundo. O mês de março foi praticamente para organização para a viagem ao Peru, onde o Oco Teatro faria o espetáculo em comemoração ao Dia Internacional do Teatro. Além disso estava programado a realização de cursos ministradas por Rafael Magalhães e Luis Alberto. Depois de uma viagem relativamente rápida chegamos em Lima (Capital) por volta de 1:00 da tarde do dia 23 de março. O que era pra ser um trabalho com questões previamente resolvidas acabou se tornando um jogo de espera e paciência, pois o produtor responsável se mostrou inexperiente (Apesar da boa vontade). A apresentação marcada para o dia 27 acabou sendo cancelada por falta de condições técnicas e todos estavam sentidos em não realizar a apresentação.

Passamos bons momentos juntos, sem grandes responsabilidades profissionais. Pudemos sair em grupo e estreitar laços de carinho e amizade vividos em momentos de descontração e passeio. Procurei visitar museus (os que tivessem entrada gratuita) e visitar monumentos, praças. Participamos de uma passeata artística tocando alfaias ao lado de diabos, demônios, estudantes que tocavam uma caixinha engraçada e bonecos gigantes que andavam pelo meio do povo.

Nesse meio tempo em que chegamos tivemos vários encontros com amigos do grupo Peruano Yuyachkani. Fomos assistir a um espetáculo deles chamado “O Ultimo ensaio” que me fez questionar sobre alguns dogmas que eu tinha com relação ao teatro. Cito o Yuyachkani por causa da sua grande disponibilidade em nos oferecer a sua sede para “Segismundo” se apresentar. Com grande correria e uma produção feita por Rafael Magalhães, nos apresentamos no dia 31 de Março. Um espetáculo marcado por emoções e energias. A sala lotada via Segismundo se desenrolar na sua narrativa, e antes mesmo de começar a “função” já havia comentários sobre uma possível sessão extra, o que não se realizou no final pela total entrega de todos e condições técnicas do espaço, que sofria com a sobrecarga de equipamento de iluminação. Ao final todos estavam emocionados, cansados e felizes com a apresentação. Eu, que apenas toco instrumentos, fiquei rouco – situação que não tinha acontecido nas apresentações anteriores. No dia seguinte embarcávamos para o Brasil.

imagesO mês de abril foi marcado pelo inicio do processo do novo espetáculo, ainda sem uma proposta concreta foi definido alguns livros para ler, entre eles “As Cidades Invisíveis” de Ítalo Calvino. Começamos os estudos e discussões. Começamos a estudar também sobre Leonardo Da Vince e Darwin. Sempre com debates e discussões.

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Maio Segismundo se apresenta no Festival Ipitanga de Teatro. Uma apresentação marcada por polêmica antes, durante e depois da apresentação.

Quase no final de Maio Luis Alberto e Rafael Magalhães viajam a Dinamarca para uma temporada de quase um mês fora. Luis nos deixa com um exercício.

O exercício é o seguinte: temos que escolher um desenho de Leonardo Da Vince, e inspirado nesse desenho fazer um conto narrativo. Desse conto nós extraímos algumas informações como objetivo, justificativa do diretor, super-objetivo e montamos uma cena com alguns atores que escolhemos. A cena deve ter um mínimo de 15 minutos. Nosso exercício é apresentar uma improvisação com bases nesse processo. Passamos o mês junho mergulhado nesse processo.

images-2Me descobri atuando em três improvisações. Começo a despertar um sentimento de descoberta que me completa como profissional de teatro. Quando me perguntam o que faço, respondo sempre que faço parte de um grupo de teatro – percebi que isso é muito vago em relação à atividade que a pessoa pode exercer dentro de um grupo, e eu sempre quis ter mais, e ser mais também, ainda que isso vá contra a minha natureza tímida. Fazer parte das improvisações me colocou dentro de um processo investigativo de atuar que estava muito inconsciente e primário. Me fez repensar toda uma não formação de teatro que tenho (Uma formação bastante intuitiva que me fazia ver o teatro como objeto chapado e plano como papel) E também me fez mudar alguns planos, abrangendo outras áreas da minha ambição profissional.

Depois de apresentar as cenas, Luis passou a trabalhar em algumas delas. Continuamos com os treinamentos

Seguimos o mês de agosto com os trabalhos normais mais as preparações para o Festival Latino Americano – que acontece em setembro.

O festival mobiliza a todos do grupo. Todos se tornam disponíveis e o evento ocorre razoavelmente dentro do planejando. A importância que o Festival tem para o grupo é a relação com os outros grupos da Latino-America. Uma reunião de alguns dos mais importantes “fazedores” de teatro que nos dão uma vivência além das paredes da Bahia e do Brasil. Cada pessoa do Oco assume uma responsabilidade e o faz, às vezes da melhor maneira que pode, às vezes não. Mas tudo acaba acontecendo. “Tudo acaba bem. Não sei como isso acontece, mas acontece. É um milagre.” O festival termina com a noticia de que já temos fundos para realizar o festival de 2010. essa noticia se junta com outras de que o Oco teatro já tem projetos aprovados em editais de circulação, que nos dá uma turnê por 3 estados do nordeste com os dois espetáculos (Branca e Segismundo) e um edital ganho de formação, em que o grupo oco oferece oficinas para o município de Lauro de Freitas.

Logo que termina o festival, começamos a nos preparar para apresentar Segismundo em um festival de teatro no Equador.

Chegamos em Quito no dia 31 de outubro depois de uma longa viagem. Já sabia que seria uma viagem muito técnica, com pouco tempo para passeio ou diversão. Isso me deixou bastante animado. Não que a folga não me deixe alegre, mas o fato de estar trabalhando me envaidece e me deixa mais feliz. Tínhamos o dia 1° de folga, e já no segundo dia o grupo ia para montagem. Apresentava no dia 3 de outubro. No dia 4 viajava para Guayaquil. No dia 5 montava e no dia 6 apresentava.

“A cidade está fria e eu congelo. Sofro em subir escadas em uma atmosfera de 2800 metros acima do mar. Me sinto um picolé sem força nem pra respirar ou derreter” “Fui para o quarto que era subindo 6 lances de escadas. Parecia que meus pulmões iam estourar” (anotação da agenda – 1 de outubro de 2009).

Todas as duas apresentações foram ótimas. Acima das minhas expectativas. A platéia com uma interação surpreendente com o espetáculo, mesmo ele sendo em uma outra língua e sem apresentar legendas.


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A impressão que tive do Equador é de um país bastante politizado e consciente. AS pichações nos muros e nas ruas eram manifestos de um povo que pede dignidade. Me senti excluído do resto da America do Sul por ser brasileiro e não ver um movimento de iniciativa popular. Alguma faísca que acenda um pensamento coletivo para melhorar a vida comum do próprio coletivo. Me deu um sentimento de solidão e abandono dentro do meus país. Um abandono por parte da sociedade, da população, dos meus pares, conterrâneos, da minha geração. Dizer que estamos abandonados pelos políticos é chover no molhado. Chutar cachorro morto.

Embarcamos no dia 7 de outubro e chegamos ao Brasil aproximadamente no dia 8. ver o sol, o mar e o verde do avião me fez ter alegria de voltar. Talvez os outros países da America latina sejam cinzas, e por isso as pessoas tenham mais consciência política. Talvez. É um caso para se estudar e observar muito.

Não tivemos muito tempo de descanso, pois já tinha uma temporada marcada no teatro Monet – em Vilas do Atlântico. A temporada foi uma tragédia. Sem publico e com condições técnicas apertadas. Cancelamos – aliviados – o restante da temporada. Ao final foi só uma desastrosa apresentação.

Continuamos com o processo de montagem do novo espetáculo e voamos para um espaço novo para treinar, pois o nosso estava ocupado por manifestações folclóricas (ou algo do tipo) em todo o mês de novembro. Passamos a retomar as sequencias do treinamentos.

Os projetos planejados para o segundo semestre de 2009 irão acontecer (possivelmente) no primeiro semestre de 2010. se 2009 foi um ano de trabalho, acredito que 2010 seja um ano de maiores realizações profissionais e crescimento, o que inclui reconhecimento profissional ( e principalmente financeiro).

A trajetória de 2009 me fez com que os meus estudos se tornassem menos intuitivos e fossem mais direcionados a um objetivo, ainda que esse seja um objetivo geral. Não penso como metas a serem alcançadas, mas como etapas que preciso superar para poder crescer profissionalmente.

Que venha 2010!

O ano vai / por Andrea Mota

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

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O ano de 2009 foi para mim um ano muito significativo dentro do grupo Oco Teatro. Foi um ano de experiências que acredito me enriqueceram como atriz e como pessoa. A construção do projeto de capacitação me fez passar por algumas situações que por falta de experiência não sabia resolver, assim como a falta de recursos, pois no momento estava sem computador o que dificultou bastante o processo, Mas a aprovação foi uma boa compensação.

O primeiro semestre com as temporadas de Branca e Segismundo na sala do Coro foram muito tensas mais foi um momento de grande aprendizado para o grupo, amadurecemos os espetáculos e exercitamos a convivência. Observo que as pessoas tem formas diferentes de começar o trabalho, que não atrapalhando o trabalho do colega devem ser respeitadas, pois por mais que passe o tempo é fato que ficamos tensos antes de uma apresentação e cada qual tem a sua válvula de escape.

Oco no Perú

A Viajem a Lima foi um ponto forte nesse ano, voltar a Lima, a apresentação no Yuyachkani teve um significado mais que especial, já que admiro há muitos anos esse grupo tão importante para história do teatro contemporâneo.

A apresentação no festival de Ipitanga foi um momento para marcar que precisamos valorizar mais ainda o nosso trabalho e serviu para nos deixar mais alertas quanto a não perder tempo em situações desgastantes que não valem a pena seguir.

O inicio do processo de Corpos Perpétuos foi para mim maravilhoso. Estou descobrindo coisas, pesquisando temas que gosto e o processo de montagem de cenas foi enriquecedor e gratificante, ter pessoas disponíveis para o trabalho foi um dos pontos altos do processo, nunca tinha trabalhado com pessoas tão disponíveis e interessadas assim como foram meus colegas nesse.

O FILTE esse ano aconteceu bem diferente do ano passado, as pessoas sabiam por onde caminhar em suas funções, apesar de acontecer muitas falhas que poderiam ser evitadas, mas estamos melhorando, só é uma pena que com tanta coisa acontecendo tenhamos que ficar de fora das oficinas e palestras, em prol do funcionamento do festival, no meu caso até de ver as apresentações, mais o sacrifício vale a pena sendo que em 2009 com a participação dos estagiários muita coisa melhorou,acredito que o de 2010 será melhor ainda de se trabalhar e quem sabe nos sobre tempo para participar de todas as atividades,

Viajem a Quito para mim foi perfeita. Apesar da dificuldade na apresentação devida altitude, conseguimos realizar um bom trabalho, reencontrar amigos foi ótimo e a apresentação em Guaquil foi um sonho.

.Quanto a temporada do Teatro Monet demonstramos amadurecimento e bom senso para não seguirmos adiante, contraindo dividas, pois percebemos a tempo a dificuldade de publico do lugar.

Durante o ano houve pouco treinamento. Entendo que foi o momento, os problemas com o espaço, que não foram poucos, o que mais nos prejudicou e esse retorno agora no final do ano uma prévia do que espero que tenhamos em 2010. Tenho me sentido mais livre para experimentar e para realizar o treinamento, estou procurando redescobrir o básico de cada exercício para poder progredir. É um caminho longo a seguir porque entendo o exercício mais ainda não consigo realizar a maioria deles.

Precisamos ouvir um pouco mais uns aos outros, respeitado espaços, limites e fazendo uma maior entrega no trabalho.Acredito que com as experiências positivas e negativas de 2009 conseguiremos construir um 2010 de trabalhos e bons frutos.