Por Andrea Mota
Depois de três cidades, seis apresentações, sendo que três de cada espetáculo ( Branca e Os Sonhos de Segismundo) Gostaria de compartilhar sentimentos e sensações desses momentos.
A primeira: João Pessoa cidade linda de pessoas tão acolhedoras, chegamos não só para o projeto Clássicos no Nordeste, estávamos também participando da 2ª Mostra de Teatro de Rua e isso nos possibilitou o encontro com outros grupos já conhecidos e queridos como Bagaceira e Clowns de Shakespeare, assim como conhecer o grupo Sertão Teatro.
Chegar foi um pouco estranho, não estávamos satisfeitos uns com os outros, pois alguns acertos não estavam sendo cumpridos durante a viajem. Felizmente antes de chegar sentamos a conversar e roupa lavada, arregaçamos as mangas e começamos a trabalhar, parte do grupo estava trabalhando nas oficinas alguns dias antes Luis (diretor) TECENDO PARTITURAS,Rafa (produtor e ator) ENERGIA E EXPRESSIVIDADE e Diana (atriz) CLOWN:CONSTRUÇÃO DE UM CORPO CÔMICO ATRAVÉS DA MUSICALIDADE. O restante do grupo foi depois, no entanto não se deixa de trabalhar por não ter viajado junto, sempre tem umas coisinhas pra resolver antes de ir. Para mim a Paraíba foi como uma estréia. Havíamos feito algumas viagens, mas, estar em cidades do Nordeste era muito importante.
No primeiro dia fomos bem recebidos por Augusta (Sertão Teatro) e passeamos com três pessoas lindas no final da tarde: Galego e Isadora do Sertão Teatro e Eduardo professor da Universidade Federal da Paraíba. Fomos conhecer as praias, orla limpa e bem cuidada, a Ponta de Seixas, ponto mais próximo do Brasil com a nossa “Mama África” que um dia rompeu o cordão e nos deixou separar por um oceano.
Tive tempo para ver a finalização das oficinas do Oco e é sempre bom observar de fora, o que já foi experimentado também no grupo, em outros atores, ver como trabalham os instrutores e perceber as reações dos participantes nessas vivências. Deu tempo de filmar um pouquinho.
O teatro, muito precário nos preocupou um pouco, será que iria suportar a iluminação de Segismundo? O palco estava praticamente ruindo na coxia, remendamos com placas de madeira e no final das contas, graças ao trabalho de muitos tudo deu certo. Destacando nesse momento da iluminação: Rita nossa iluminadora incansável que só para depois que tudo está pronto, Galego e Virgilio. As apresentações foram um sucesso, teatro cheio os dois dias.
Conversas, conhecer o Sertão Teatro grupo lindo, novo, cheio de vontade de trabalhar e pesquisar, encontrar os Clowns e o Bagaceira que por sinal comemora dez anos me faz feliz.Fiz a oficina do Bagaceira A CONSTRUÇÃO DO CORPO EXTRA COTIDIANO e percebi que no treino deles há muitas coisas parecidas, princípios, só que trabalhados de forma diferente, isso me fez perceber coisas do nosso próprio treinamento com mais clareza.
Entre os espetáculos que assisti na mostra destaco Esparrela do ator veterano Fernando Teixeira. Um cenário completamente despido, uma pequena alfaia um ator sem maquiagem ou figurinos elaborados, me parecia ali com a alma exposta ao narrar uma história com a pespectiva de um urubu. Enquanto ria refletia sobre a vida, sobre o teatro, via um homem ali, calejado por essa arte.
Com a companhia de Diana passei pelas ruas de João Pessoa e pude observar o povo, a cidade, o centro histórico com seus casarões e igrejas, a movimentação de vida em uma cidade verde, pude ver também, quando saí à noite que como Salvador, a cidade tem muitos problemas sociais.
No dia da demonstração de trabalho sala lotada, muitas perguntas de estudantes e professores, atores Nas perguntas que surgem de outros são afloradas perguntas que ainda são minhas, em oito anos de contato com a dança dos ventos, acreditando que é preciso cada vez mais mergulhar fundo nesse universo. Também percebo que algumas pessoas fazem perguntas que criticam por usarmos o treinamento que foi criado em outro grupo (ver Pontes dos ventos), sem saber a história, pois Rafael Magalhães é Fundador e criador também desse processo. Quanto a nós a demonstração não é uma aula, nem uma exibição de virtuosismo e sim o compartilhar do caminho que estamos traçando em nossas buscas.
Demonstração de trabalho do Bagaceira, compartilhando processos e experiências, a história deles, erros e acertos, acho esse grupo muito generoso e talentoso, para mim foi uma tarde super importante na Paraíba.
Eu, Diana, Cristina Streva(diretora de Ser Tão teatro) Devora e carla
A Segunda: Maceió: Viagem bem mais tranqüila, rápida. Recebidos Por Tiago o nosso querido músico (O Crucru) que foi o caminho todo dizendo que o hotel era horrível, somente Rita não acreditou e o hotel era realmente muito bonito imitando um navio. Até chegar no hotel o caminho não me animava muito, mas ao chegar a linda orla, na praia de Pajussara, meus olhos sorriam pelo que viam.
Nossa hospedagem bem merecida!
No Hotel depois de algumas readaptações de quarto, descansamos e a noite me assustei com tanta fartura nos prantos do jantar sem resistir às tentações me entreguei as gulodices alagoanas, para depois dos pecados cometidos lembrar que preciso e muito emagrecer. Mas prato cheio parece ser costume dessas três cidades que visitamos diferente daqui, lá quando dizem come bem duas pessoas pode multiplicar rrsrs.
No segundo dia bem cedinho hora de ajustar e arrumar tudo, o teatro do Sesi estava localizado quinze minutos de caminhada a beira mar e fomos arrumar o camarim e passar as roupas como de costume, mas adiamos para a tarde porque teríamos que passar no meio da oficina de Diana e isso poderia atrapalhar. Fui então junto com Carla dar uma volta no centro histórico. Visitamos o Museu de Áudio Visual e me diverti demais ao ver os titios dos computadores de hoje e outros aparelhos que já foram alta tecnologia em seus tempos e hoje estão extintos ou evoluídos, verdadeiros dinossauros tecnológicos.
Achei a produção dessa etapa bem falha, Rafael tendo que resolver coisas que deveria ter encontrado prontas. Na demonstração de trabalho o local estava inadequado, sujo, barulhento. Trocamos por uma sala menor e mais limpa. A demonstração foi na Universidade Federal de Alagoas em uma sala de dança que ficou cheia de estudantes e professores, foi justamente nesta sala que tive contato com uma coisa que eu ainda não tinha tido contato em minha vida de atriz e me parece uma característica das pessoas da cidade: A tietagem; depois da demonstração pessoas pediam autógrafos, queriam tirar muitas fotos, autógrafos, observei divertida e com estranhamento.
O teatro parecia ser muito bom, mas tinha problemas de microfonia que quase faz a apresentação ser cancelada e isso causou um mal estar muito grande entre o grupo, Aliás Maceió não foi uma etapa tranqüila, diretor demonstrava sinais de cansaço, falta de paciência e mais do que ninguém, em toda sua humanidade, o diretor é a pessoa de maior influência no grupo, seu humor interfere diretamente no humor das outras pessoas.Acho que apesar do momento ser de trabalho forte é necessário afastar um pouco para recarregar as energias, contar até mil.
O Dois espetáculos aconteceram assim mesmo com os problemas de som com o teatro lotado. Tive uma grata surpresa depois da apresentação de Segismundo: Minha professora de dança foi assistir o espetáculo: Nadir Nóbrega: Bailarina, Professora da Universidade e quase doutora da qual só tenho boas lembranças, uma das culpadas de hoje esta pessoa que escreve ter essa vida feliz de almocreve artista.
Guardar os elementos ainda é para mim um momento de stress, pois é tudo muito rápido e as pessoas ainda teimam em não atender ao meu pedido de só levar a bagagem depois de eu ter conferido e liberado. Mas felizmente até agora está tudo certo. Principalmente por ter sempre junto Rafael e Mário que sabem organizar as coisas em seu devido lugar como ninguém.
Voltamos tensos e no intervalo da viagem aqui em Lauro de Freitas fizemos uma avaliação parcial, ufa! Melhorou cem por cento o clima, mesmo tendo coisas que só o tempo irá corrigir e adequar.
A Terceira: Teresina. Foi a cidade que mais gostei. Creio que por ser a mais diferente. O ruim era que o teatro ficava longe do hotel.
Chegamos arrumamos as coisas no teatro, á tarde fizemos a demonstração de trabalho em uma escola técnica de teatro, com muitos comentários que nos fazem refletir.
Sábado dia de apresentação de Segismundo, iríamos ensaiar de tarde então a manhã estava livre, fomos eu Diana, Mário e Tiago para o encontro dos rios Poti e Parnaíba.
Apresentação de Segismundo aconteceu tranqüila, domingo manhã livre, então saí com Mario e Thiago, fomos ao Museu de História do Piauí, onde fiquei sabendo da parte triste da história dos índios dizimados do estado, mas também pude ver móveis objetos e artefatos arqueológicos de milhões de anos.
Apresentação de Branca foi tranqüila também. Arrumamos tudo, para voltar de madrugada.
Jantamos confraternização, voltamos. Cansados. Tudo isso acredito que amadureceu um pouco o grupo, os acertos, dificuldades, concessões, discussões, todos os rostos e paisagens que vimos alguma coisa devagarinho está mudando no grupo. Que venham outros projetos assim. Obrigada a todos que compartilharam dessa aventura.









