
Por. Diana Ramos
Hoje tive a certeza de que não é fácil ser diretor de um grupo teatral, ou mesmo um grupo qualquer. É bem sabido que os grupos sociais são formados por pessoas de personalidades distintas, o que faz com que o enlace da convivência aconteça. Todo grupo tem o chato, o preguiçoso, o sem-noção, o pró-ativo, o criativo, o simpático,o propositivo, o harmonizador… seja que grupo for, os papéis aparecem bem divididos e assim o grupo se mantêm.
Ninguém é obrigado a suportar ninguém, no cotidiano a gente “fecha a cara” e vai embora, liquidando a tal pessoa do seu campo de vista, mas, num grupo, há objetivos comuns que fazem com que a cada manhã a gente acorde com alguma motivação diferente. No entanto, a figura do líder, naturalmente acontece dentro de um grupo ou já é pré-estabelecida, no caso o diretor de um grupo de teatro. Com o passar dos anos, ele, o diretor, conhece cada alma descompreendida de seu rebanho, sabe quem é cada um, porque não lhes avalia pelo aqui e agora, nem por sua produção artística apenas, pois sabe que o que sobe ao palco é o resultado de conflitos internos, vontades, angústias, experiências, carências, egos inflados ou massacrados, vidas, pessoas…o ator ou atriz. Mas quem ensina aos diretores a compreender almas? Alguns diretores aprendem outros não. É uma escola subjetiva. Acredito que existam atores ativos e passivos, e diretor precisa encontrar a medida certa de estímulo para que a criação aconteça. Num grupo teatral, onde a convivência é longa e intensa o diretor, ao que me parece, é também responsável pelo humor do coletivo, se está bravo todos se retraem ou devolvem igual braveza, se está feliz o grupo sorri feliz, se demonstra extremo interesse numa proposta de montagem o grupo está de corpo e alma com ele, se duvidoso o mesmo paira coletivamente no ar. Claro que isso não é uma regra, há grupos de todos os tipos, mas considero a figura do diretor fundamental na psicologia das relações internas. E se ele está desmotivado? Como fazer ressurgir o ânimo? É duro ser diretor, mas também, como o ator é uma condição ao qual nos propusemos é preciso ir até o fim. Esse desarmador de bombas ou desarm-ator é o diretor.
Certo dia uma atriz acordou decidida a dar fim a sua condição, inquieta, angustiada, foi no caminho longo que percorria até chegar a sede do seu grupo pensando no discurso que faria ao seu diretor, disposta a jogar pro alto, dar prazos a suas participações, disposta a encarar a fúria ou desprezo coletivo ia despedir-se, mas cumprindo suas obrigações até o último prazo. Era uma bomba relógio soltando pequenas faíscas diárias, e lá, pronta para explodir e terminar tudo veio ele, o desarmator de atrizes em crise, e cortou o fio vermelho. Era como se tivesse lendo os pensamentos dela e antes que ela falasse vinha um argumento pacificador, e outros sucessivos desarmaram a bomba. Mas se ele não a conhecesse tão bem não poderia se antecipar a explosão. No fim das contas, ela voltou para casa com seu corpo bélico desmontado. Ao menos levará uns dias para que a bomba se reconstitua ou amanhã será outro ator-bomba a dar-lhe a urgência de mais uma missão de desarm-ator. Assim, esse aprendizado é totalmente particular, apenas um diretor que aprendeu a desarmar-se pode cortar o fio vermelho antes que tudo caia ao seu redor.


Nossa vejo isso como uma contante … Fabulosa suas palavras e conclusões … só espero que um dia os meus atores tenham essa consciencia … rsrrsrs Merda!!!