O ano do trabalho / por Tiago Chaves

16 de dezembro de 2009

PIC_0684O ano do trabalho

O ano de 2009 se mostrou bastante produtivo para o Oco Teatro Laboratório.

Depois de estrear Os Sonhos de Segismundo com uma temporada em novembro de 2008, o grupo produziu uma temporada dos dois espetáculos em fevereiro de 2009, o que parece não ter sido bastante vantajoso em relação a publico e questões financeiras. O fato de ser antes do carnaval de Salvador e no meio do verão da Bahia fez com que as apresentações tivessem um publico bastante reduzido.

Depois da temporada, continuou os trabalhos de treinamentos e ensaios de cena para a primeira viagem de Os sonhos de Segismundo. O mês de março foi praticamente para organização para a viagem ao Peru, onde o Oco Teatro faria o espetáculo em comemoração ao Dia Internacional do Teatro. Além disso estava programado a realização de cursos ministradas por Rafael Magalhães e Luis Alberto. Depois de uma viagem relativamente rápida chegamos em Lima (Capital) por volta de 1:00 da tarde do dia 23 de março. O que era pra ser um trabalho com questões previamente resolvidas acabou se tornando um jogo de espera e paciência, pois o produtor responsável se mostrou inexperiente (Apesar da boa vontade). A apresentação marcada para o dia 27 acabou sendo cancelada por falta de condições técnicas e todos estavam sentidos em não realizar a apresentação.

Passamos bons momentos juntos, sem grandes responsabilidades profissionais. Pudemos sair em grupo e estreitar laços de carinho e amizade vividos em momentos de descontração e passeio. Procurei visitar museus (os que tivessem entrada gratuita) e visitar monumentos, praças. Participamos de uma passeata artística tocando alfaias ao lado de diabos, demônios, estudantes que tocavam uma caixinha engraçada e bonecos gigantes que andavam pelo meio do povo.

Nesse meio tempo em que chegamos tivemos vários encontros com amigos do grupo Peruano Yuyachkani. Fomos assistir a um espetáculo deles chamado “O Ultimo ensaio” que me fez questionar sobre alguns dogmas que eu tinha com relação ao teatro. Cito o Yuyachkani por causa da sua grande disponibilidade em nos oferecer a sua sede para “Segismundo” se apresentar. Com grande correria e uma produção feita por Rafael Magalhães, nos apresentamos no dia 31 de Março. Um espetáculo marcado por emoções e energias. A sala lotada via Segismundo se desenrolar na sua narrativa, e antes mesmo de começar a “função” já havia comentários sobre uma possível sessão extra, o que não se realizou no final pela total entrega de todos e condições técnicas do espaço, que sofria com a sobrecarga de equipamento de iluminação. Ao final todos estavam emocionados, cansados e felizes com a apresentação. Eu, que apenas toco instrumentos, fiquei rouco – situação que não tinha acontecido nas apresentações anteriores. No dia seguinte embarcávamos para o Brasil.

imagesO mês de abril foi marcado pelo inicio do processo do novo espetáculo, ainda sem uma proposta concreta foi definido alguns livros para ler, entre eles “As Cidades Invisíveis” de Ítalo Calvino. Começamos os estudos e discussões. Começamos a estudar também sobre Leonardo Da Vince e Darwin. Sempre com debates e discussões.

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Maio Segismundo se apresenta no Festival Ipitanga de Teatro. Uma apresentação marcada por polêmica antes, durante e depois da apresentação.

Quase no final de Maio Luis Alberto e Rafael Magalhães viajam a Dinamarca para uma temporada de quase um mês fora. Luis nos deixa com um exercício.

O exercício é o seguinte: temos que escolher um desenho de Leonardo Da Vince, e inspirado nesse desenho fazer um conto narrativo. Desse conto nós extraímos algumas informações como objetivo, justificativa do diretor, super-objetivo e montamos uma cena com alguns atores que escolhemos. A cena deve ter um mínimo de 15 minutos. Nosso exercício é apresentar uma improvisação com bases nesse processo. Passamos o mês junho mergulhado nesse processo.

images-2Me descobri atuando em três improvisações. Começo a despertar um sentimento de descoberta que me completa como profissional de teatro. Quando me perguntam o que faço, respondo sempre que faço parte de um grupo de teatro – percebi que isso é muito vago em relação à atividade que a pessoa pode exercer dentro de um grupo, e eu sempre quis ter mais, e ser mais também, ainda que isso vá contra a minha natureza tímida. Fazer parte das improvisações me colocou dentro de um processo investigativo de atuar que estava muito inconsciente e primário. Me fez repensar toda uma não formação de teatro que tenho (Uma formação bastante intuitiva que me fazia ver o teatro como objeto chapado e plano como papel) E também me fez mudar alguns planos, abrangendo outras áreas da minha ambição profissional.

Depois de apresentar as cenas, Luis passou a trabalhar em algumas delas. Continuamos com os treinamentos

Seguimos o mês de agosto com os trabalhos normais mais as preparações para o Festival Latino Americano – que acontece em setembro.

O festival mobiliza a todos do grupo. Todos se tornam disponíveis e o evento ocorre razoavelmente dentro do planejando. A importância que o Festival tem para o grupo é a relação com os outros grupos da Latino-America. Uma reunião de alguns dos mais importantes “fazedores” de teatro que nos dão uma vivência além das paredes da Bahia e do Brasil. Cada pessoa do Oco assume uma responsabilidade e o faz, às vezes da melhor maneira que pode, às vezes não. Mas tudo acaba acontecendo. “Tudo acaba bem. Não sei como isso acontece, mas acontece. É um milagre.” O festival termina com a noticia de que já temos fundos para realizar o festival de 2010. essa noticia se junta com outras de que o Oco teatro já tem projetos aprovados em editais de circulação, que nos dá uma turnê por 3 estados do nordeste com os dois espetáculos (Branca e Segismundo) e um edital ganho de formação, em que o grupo oco oferece oficinas para o município de Lauro de Freitas.

Logo que termina o festival, começamos a nos preparar para apresentar Segismundo em um festival de teatro no Equador.

Chegamos em Quito no dia 31 de outubro depois de uma longa viagem. Já sabia que seria uma viagem muito técnica, com pouco tempo para passeio ou diversão. Isso me deixou bastante animado. Não que a folga não me deixe alegre, mas o fato de estar trabalhando me envaidece e me deixa mais feliz. Tínhamos o dia 1° de folga, e já no segundo dia o grupo ia para montagem. Apresentava no dia 3 de outubro. No dia 4 viajava para Guayaquil. No dia 5 montava e no dia 6 apresentava.

“A cidade está fria e eu congelo. Sofro em subir escadas em uma atmosfera de 2800 metros acima do mar. Me sinto um picolé sem força nem pra respirar ou derreter” “Fui para o quarto que era subindo 6 lances de escadas. Parecia que meus pulmões iam estourar” (anotação da agenda – 1 de outubro de 2009).

Todas as duas apresentações foram ótimas. Acima das minhas expectativas. A platéia com uma interação surpreendente com o espetáculo, mesmo ele sendo em uma outra língua e sem apresentar legendas.


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A impressão que tive do Equador é de um país bastante politizado e consciente. AS pichações nos muros e nas ruas eram manifestos de um povo que pede dignidade. Me senti excluído do resto da America do Sul por ser brasileiro e não ver um movimento de iniciativa popular. Alguma faísca que acenda um pensamento coletivo para melhorar a vida comum do próprio coletivo. Me deu um sentimento de solidão e abandono dentro do meus país. Um abandono por parte da sociedade, da população, dos meus pares, conterrâneos, da minha geração. Dizer que estamos abandonados pelos políticos é chover no molhado. Chutar cachorro morto.

Embarcamos no dia 7 de outubro e chegamos ao Brasil aproximadamente no dia 8. ver o sol, o mar e o verde do avião me fez ter alegria de voltar. Talvez os outros países da America latina sejam cinzas, e por isso as pessoas tenham mais consciência política. Talvez. É um caso para se estudar e observar muito.

Não tivemos muito tempo de descanso, pois já tinha uma temporada marcada no teatro Monet – em Vilas do Atlântico. A temporada foi uma tragédia. Sem publico e com condições técnicas apertadas. Cancelamos – aliviados – o restante da temporada. Ao final foi só uma desastrosa apresentação.

Continuamos com o processo de montagem do novo espetáculo e voamos para um espaço novo para treinar, pois o nosso estava ocupado por manifestações folclóricas (ou algo do tipo) em todo o mês de novembro. Passamos a retomar as sequencias do treinamentos.

Os projetos planejados para o segundo semestre de 2009 irão acontecer (possivelmente) no primeiro semestre de 2010. se 2009 foi um ano de trabalho, acredito que 2010 seja um ano de maiores realizações profissionais e crescimento, o que inclui reconhecimento profissional ( e principalmente financeiro).

A trajetória de 2009 me fez com que os meus estudos se tornassem menos intuitivos e fossem mais direcionados a um objetivo, ainda que esse seja um objetivo geral. Não penso como metas a serem alcançadas, mas como etapas que preciso superar para poder crescer profissionalmente.

Que venha 2010!

O ano vai / por Andrea Mota

16 de dezembro de 2009

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O ano de 2009 foi para mim um ano muito significativo dentro do grupo Oco Teatro. Foi um ano de experiências que acredito me enriqueceram como atriz e como pessoa. A construção do projeto de capacitação me fez passar por algumas situações que por falta de experiência não sabia resolver, assim como a falta de recursos, pois no momento estava sem computador o que dificultou bastante o processo, Mas a aprovação foi uma boa compensação.

O primeiro semestre com as temporadas de Branca e Segismundo na sala do Coro foram muito tensas mais foi um momento de grande aprendizado para o grupo, amadurecemos os espetáculos e exercitamos a convivência. Observo que as pessoas tem formas diferentes de começar o trabalho, que não atrapalhando o trabalho do colega devem ser respeitadas, pois por mais que passe o tempo é fato que ficamos tensos antes de uma apresentação e cada qual tem a sua válvula de escape.

Oco no Perú

A Viajem a Lima foi um ponto forte nesse ano, voltar a Lima, a apresentação no Yuyachkani teve um significado mais que especial, já que admiro há muitos anos esse grupo tão importante para história do teatro contemporâneo.

A apresentação no festival de Ipitanga foi um momento para marcar que precisamos valorizar mais ainda o nosso trabalho e serviu para nos deixar mais alertas quanto a não perder tempo em situações desgastantes que não valem a pena seguir.

O inicio do processo de Corpos Perpétuos foi para mim maravilhoso. Estou descobrindo coisas, pesquisando temas que gosto e o processo de montagem de cenas foi enriquecedor e gratificante, ter pessoas disponíveis para o trabalho foi um dos pontos altos do processo, nunca tinha trabalhado com pessoas tão disponíveis e interessadas assim como foram meus colegas nesse.

O FILTE esse ano aconteceu bem diferente do ano passado, as pessoas sabiam por onde caminhar em suas funções, apesar de acontecer muitas falhas que poderiam ser evitadas, mas estamos melhorando, só é uma pena que com tanta coisa acontecendo tenhamos que ficar de fora das oficinas e palestras, em prol do funcionamento do festival, no meu caso até de ver as apresentações, mais o sacrifício vale a pena sendo que em 2009 com a participação dos estagiários muita coisa melhorou,acredito que o de 2010 será melhor ainda de se trabalhar e quem sabe nos sobre tempo para participar de todas as atividades,

Viajem a Quito para mim foi perfeita. Apesar da dificuldade na apresentação devida altitude, conseguimos realizar um bom trabalho, reencontrar amigos foi ótimo e a apresentação em Guaquil foi um sonho.

.Quanto a temporada do Teatro Monet demonstramos amadurecimento e bom senso para não seguirmos adiante, contraindo dividas, pois percebemos a tempo a dificuldade de publico do lugar.

Durante o ano houve pouco treinamento. Entendo que foi o momento, os problemas com o espaço, que não foram poucos, o que mais nos prejudicou e esse retorno agora no final do ano uma prévia do que espero que tenhamos em 2010. Tenho me sentido mais livre para experimentar e para realizar o treinamento, estou procurando redescobrir o básico de cada exercício para poder progredir. É um caminho longo a seguir porque entendo o exercício mais ainda não consigo realizar a maioria deles.

Precisamos ouvir um pouco mais uns aos outros, respeitado espaços, limites e fazendo uma maior entrega no trabalho.Acredito que com as experiências positivas e negativas de 2009 conseguiremos construir um 2010 de trabalhos e bons frutos.

Corpus Perpétuo-número 1/por Luis Alonso

27 de novembro de 2009
training oco teatro / Foto.Fernando Zambia

training oco teatro / foto. Fernando Zambia

É um pouco enfadonho iniciar um escrito como este, pois quase sempre os criadores nos sentimos que temos absoluta razão naquilo que pensamos e executamos, ou melhor,  naquilo que idealizamos e levamos à prática. Com o passo do tempo aprendi que a Arte não é para nada subjetiva como a maioria pensa. Qualquer Arte tem um componente fisiológico inerente a ela, a construção consciente de uma estrutura, seja ela em versos, em letras musicais, em corpos, vozes ou cores.

Isto me faz pensar em que dessa maneira criamos através do tempo uma forma de ancorar a construção da obra de arte dentro de padrões e estruturas que vão demarcando o caminho que deve ser trilhado para sua elaboração. Digamos que, especificamente no teatro, na maioria dos criadores, se não existe um texto que paute as ideias centrais, os objetivos e justificativas que levam a construir a peça teatral, então para essa maioria começa a ser discutível que um resultado em semelhantes condições chegue a ser verdadeiramente uma obra da arte teatral.

A minha experiência me induz a me deixar levar pela intuição, pela pulsão do momento criativo, não sentindo medo algum em me deixar arrastar pelo processo; às vezes não possuo um texto predefinido, ou uma ideia concreta, e isso permite que eu me surpreenda pelo processo no percurso do trabalho.

Nos processos anteriores, junto aos meus atores, construímos nossos espetáculos a partir de clássicos, sem a pretensão de manter as estruturas formais dos textos. Mas estava claro que existiam textos teatrais que guiavam a nossa construção das peças.

No caso de Corpus Perpétuo me atrevo a dizer que não temos noção de como o espetáculo vai ser construído. De como as palavras serão ditas sem pronunciar o verbo. De como será costurada a representação desta performance que não precisa ser entendida, mas ao mesmo tempo precisa ser mágica, cativante e envolver ao espectador-atuante. Estamos no meio de um processo bem complicado, mas sem medos nos enfrentamos ao trabalho diário de treinamentos, estudos profundos de várias obras. Não ficamos presos a Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino ou às obras de Tadeusz Kantor, a partir dos quais iniciamos nosso trabalho. Viajamos dia após dia nos apoiando em novas experiências.

Faz uns quatro dias viajei a São Paulo, descobri lá dois livros que me interessaram, um de Samuel Beckett que desconhecia e outro de Albert Camus. Estou lendo os dois. Ambos estão relacionados de forma fortuita com nosso trabalho e as ideias que perseguimos. Então podemos somar criterios e enriquecer o nosso trabalho com eles.

Penso que a arte teatral contemporânea não exige mais um diretor que comande os atores a partir de fórmulas já prestablecidas. Os atores devem ser poetas, sonhadores, criadores, que precisam cultivar o seu corpo e o seu intelecto e a partir desse universo muito particular de cada um começar a propor a partir de pequenos impulsos, são como pequenos partos, que surgem de contrações que ao mesmo tempo surgem de acúmulo de conhecimento geral.

Falo muito para meus atores que é necessário preencher e arrumar sempre nossas bagagens, as bagagens ou malas  são nossos espaços para o conhecimento, aquelas malas que levamos conosco nas nossas viagens da criação, aqueles conhecimentos que se adquirem organicamente e os outros que são adquiridos de maneira voluntaria. Ambos são de uma importância vital na nossa construção como artistas. Essas bagagens não ocupam espaço e ao mesmo tempo nunca acabam ficando cheias. Precisamos sempre carregar com elas. Também pergunto para eles o por que da preguiça em preencher esses espaços vazios?

Acho que há uma falta de instrução nos atores da necessidade de adquirir intelecto. O ator de alguma maneira deve ser um intelectual, pois ele gera conhecimentos e dialoga com eles, pelo menos o ator do qual eu falo e pretendo formar nos meus laboratórios.

Quanto custa ser um artista!?/Por Luis Alonso

26 de novembro de 2009
O mito de Sísifo

O mito de Sísifo

Os que estão de fora veem mais daqueles que estão dentro. Essa é a questão!

Eu me declaro alguém que chegou de fora e já estou dentro dessa classe “autossustentável” denominada Artistas do Brasil, em especial Artistas da Bahia. Há uma dualidade que tenho desenvolvido a qual me permite estar dentro e ver de fora. Por isso me pergunto: quanto custa ser artista na Bahia?

Fazendo um levantamento pela quantidade de horas que eu permaneço frente ao computador, feito um promoter, produzer, designer, e outros títulos que eu mesmo me inventei , posso dizer que o menos que eu faço é Arte. Fico aproximadamente oito horas do meu dia parafusando projetos, correndo atrás de editais, reorganizando o nosso blog e site, pensando em ações que nos ajudem a subsistir como coletivo, respondendo diligências do Fundo de Cultura e da FUNCEB, etc, etc, etc.

A realidade de cada quem é muito particular pois é o indivíduo que elege qual caminho quer seguir na estrada da sua vida sendo a sua relação com o entorno aquilo que determine o seu lugar na sociedade. No nosso caso, me refiro aos artistas, é como se nós não existíssemos e nos empenhássemos em sermos vistos por alguém, sei lá, algum guru, ou algum clarividente.

Os altos políticos não nos olham, os prefeitos não nos olham, as Secretarias de Cultura fazem o que podem para tentar se curar da miopia. Não é menos certo de que faz uns dois anos, no estado da Bahia, nós temos pelo menos a oportunidade de concorrer a editais, ganhar prêmios em dinheiro. Ainda que depois, como cavalos desaforados, tenhamos que correr atrás das liberações, das cartas de alforria que ganhou o nosso bendito dinheiro dependente de um altíssimo senhor chamado procurador.

Nós precisamos criar com urgência algum mecanismo que nos dê a oportunidade de ficarmos na nossa criação, sem necessidade de investir mais da metade do nosso tempo-ativo-diário na elaboração de projetos ou imersos em leis de incentivo.

O nosso grupo de teatro, por exemplo, trabalha num município baiano chamado Lauro de Freitas, então somos lauro-freitenses, mas qual é o investimento do governo de Lauro de Freitas na área cultural? Shows Religiosos, num país que se autodenomina Estado Laico? Daniela Mercury na Praça Matriz? Micareta? São João? (Observem que todas as ações da cultura em Lauro de Freitas estão centradas em projetos de grande número de pessoas, quer dizer popular, quer dizer voto. Claro, a cultura popular não questiona o Poder nem enfrenta o estado das coisas. É a nossa arte a que coloca em xaque e discute com os “Poderosos”) Não entendemos por que o dinheiro público não é utilizado em projetos micro culturais, aqueles que realmente semeiam e construem um ser preparado para a vida? O governo de Lauro de Freitas não faz nada pela cultura, absolutamente nada. A maquinaria política não permite. Mas a nossa questão não é a maquinaria política, é ver resultados. A maquinaria política é problema de quem a criou, sustenta e alimenta.

Quanto custa ser um artista!?

Esta pergunta me lembra muito as questões de Camus quando desenvolvia a sua filosofia do absurdo, o absurdo da vida do homem que impõe revolta, algo explicável assim como o mito de Sísifo, de quem ele se faz sedutor-questionador. Sísifo sobe a montanha empurrando uma pedra até o topo, para deixá-la cair e vê-la rodar novamente. Todos os dias repete a tarefa. Prefere antes de morrer permanecer vivo nessa eterna ação fútil. Castigo dos Deuses por desafiá-los.

Ainda que a nossa diária-ação-asmática pareça menos fútil que a de Sísifo, ela é o preço que nós pagamos por sermos artistas, um castigo por absurdamente elegermos sê-lo.